BEATRIZ BANHA
BEATRIZ BANHA’s practice is rooted in photography, exploring a fluid relationship with territory through images that move between intimacy and immediacy. Her work unfolds through an intuitive process shaped by time, chance, and experimentation, where narrative emerges subtly from associations, rhythms, and lived experience.
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How would you describe your practice? My practice develops primarily through photography, although other materialities have increasingly been contaminating my universe. It often begins with a relationship to the territory, within which I move along a spectrum between intimacy and superficiality. Many of the images emerge from a prolonged relationship with certain places, or sometimes as immediate reactions to locations I know I will likely never see again. My work tends to approach a diaristic logic, as the images arise from my experience and response, even if on the surface they may not appear as a chronological reflection. In this process, other interventions emerge through experimentation with materials or supports that extend my relationship with the territory and with the process itself. These elements do not replace photography, but function as extensions or informants of my visual universe.
How do you define your work process? In any project there is a trigger, often chance occurrences, that proposes a new line of exploration. I try to cultivate a path that embraces time and to approach a project as something alive, not entirely closed within my initial conception. One of the important factors in my work is a sense of limitation, often shaped by the time available: whether in the continuity of a routine practice without interruptions, or in the limited time I spend in certain places. Often I do not know exactly what I am looking for, which helps me remain more attentive to what I encounter, since there is no pre-selection or fixed focus. Everything can be valid and potential material. It is an intuitive process between accumulation and selection.
How does narrative emerge in your work? I am learning to suggest sensations that may evoke narratives, seeking ways to escape linear storytelling. In my work, narrative appears more as an effect or suggestion than as something imposed: it is the relationships between images, rhythms, and repetitions that construct possibilities of reading. The experience of producing the two books revealed the tension between this approach and the need for a beginning and an end. I began by exploring free associations between images, allowing unexpected dialogues to emerge, until I found ways to organize those relationships.
To what extent do “error” or chance play a part in your practice? Depending on perspective, error and chance can be the same thing. Error allows me to perceive possibilities I was not seeing; it is a mode of discovery. Therefore, the dichotomy between error and chance may have more to do with my acceptance of something that lies outside my field of vision. Error acts as an ally to my curiosity, while chance is more connected to how I move, both literally and metaphorically, whether through a process of virtual research or within the territory itself. These situations are important because they detach me from the notion of control and allow for a more organic layer in the work, to which I can respond without being able to fully dominate it. I feel it is a space that stimulates creation.
BEATRIZ BANHA desenvolve a sua prática sobretudo através da fotografia, explorando uma relação fluida com o território por meio de imagens que oscilam entre a intimidade e a imediaticidade. O seu trabalho desenrola-se através de um processo intuitivo moldado pelo tempo, pelo acaso e pela experimentação, onde a narrativa emerge de forma subtil a partir de associações, ritmos e da experiência vivida.
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Como descreverias a tua prática? A minha prática desenvolve-se sobretudo através da fotografia, sendo que outras materialidades têm vindo a contaminar o meu universo. Frequentemente parte duma relação com o território em que me desloco no espectro entre a intimidade e a superficialidade. Muitas das imagens surgem de uma relação prolongada com determinados lugares ou por vezes são reações imediatas a locais que sei que dificilmente vou voltar a ver. O meu trabalho tende a aproximar-se de uma lógica diarística, uma vez que as imagens surgem da minha experiência e reação, ainda que na superfície possam não parecer um reflexo cronológico. Neste processo, outras intervenções surgem através da experimentação com materiais ou suportes que prolongam a minha relação com o território e com o processo. Estes elementos não substituem a fotografia, funcionando como extensões ou informadores do meu universo visual.
Como caracterizas o teu processo de trabalho? Em qualquer projeto existe um gatilho, muitas vezes casualidades, que me propõe uma nova linha de exploração. Tento cultivar um percurso que acolha o tempo e encarar um projeto como algo vivo, que não está completamente fechado à minha conceção inicial. Um dos fatores importantes no meu trabalho é a sensação de limitação, muitas vezes desempenhada pelo tempo disponível: seja no contínuo de uma prática rotineira que não tem interrupções, ou pelo tempo escasso que passo em determinados lugares. Muitas das vezes não sei bem aquilo que procuro, o que me ajuda a estar mais atenta àquilo que encontro porque não existe uma pré-seleção ou um foco. Tudo pode ser válido e potencial material. É um processo intuitivo entre a acumulação e seleção.
De que forma surge a narrativa no teu trabalho? Estou a aprender a sugerir sensações que possam evocar narrativas, procurando formas de escapar à narrativa linear. No meu trabalho, a narrativa surge mais como um efeito ou sugestão do que como algo imposto: são as relações entre imagens, os ritmos e as repetições que constroem possibilidades de leitura. A experiência de construir os dois livros revelou a tensão entre esta abordagem e a necessidade de um início e um fim. Comecei por explorar associações livres entre as imagens, permitindo que se criassem diálogos inesperados, até perceber maneiras de organizar essas relações.
Até que ponto o “erro” ou o acaso fazem parte da tua prática? Dependendo da perspetiva, erro e acaso podem ser a mesma coisa. O erro faz-me perceber possibilidades que não estava a ver; é um modo de descoberta. Por isso, talvez a dicotomia entre erro e acaso tenha mais a ver com a minha aceitação de algo que não está integrado no meu campo de visão. O erro funciona como aliado da minha curiosidade, enquanto o acaso está mais ligado à forma como me desloco, literal e metaforicamente, seja num processo de pesquisa virtual ou no próprio território. São situações importantes porque me desligam da noção de controlo e permitem que exista uma camada mais orgânica no trabalho, à qual posso reagir sem conseguir dominar completamente. Sinto que é um espaço estimulante à criação.