12 Sep — 17 Oct 2025 | PORTO

Bicho de seis cabeças

Abel Mota

Curated by Frederico Vicente

Bicho de seis cabeças é uma sequência não linear de desenhos. Desenhos que formam narrativas fragmentadas: ouvidas aqui, sussurradas ali, trazidas pelo vento de outros lugares. Desenhos de meios corpos, homens híbridos, bestas emplumadas e outras figuras sonâmbulas. Desenhos que evidenciam a importância da colagem no imaginário interespécies do artista.

Para Abel Mota, esta criatura pertence tanto ao sertão brasileiro como fala mirandês, permanecendo, ainda assim, um ser doméstico e familiar, que se alimenta do nosso ceticismo e bebe das nossas hesitações. Mas, se é verdade que os "ses" não fazem a História e que a História não se constrói com "ses", talvez as histórias populares contem outra versão. Se ela não existe, então porque dorme aos nossos pés? Porque a vemos voar sobre as nossas cabeças? Porque a vestimos para brincar ao faz de conta? Não neguem a existência desta pequena besta. Bicho de seis cabeças é uma viagem suspensa em tonalidades cromáticas, povoada por enredos inacabados e histórias que permanecem por contar.*

Six-Headed Creature is a non-linear sequence of drawings. Drawings that form fragmented narratives: overheard here, whispered there, blown in from elsewhere. Drawings of half-bodies, hybrid men, feathered beasts, and other sleepwalking figures. Drawings that highlight the importance of collage in the artist’s interspecies imagination.

For Abel Mota, this creature is as much from the Brazilian sertão as it speaks in mirandês, yet it remains a familiar domestic being, one that feeds on our skepticism and drinks from our hesitations. But if it’s true that “ifs” don’t make history, and that history is not built on “ifs”, popular stories may tell a different tale. If it doesn’t exist, then why does it sleep at our feet? Why do we see it flying above our heads? Why do we dress it up for pretend play? Don’t deny the existence of this little beast. Six-Headed Creature is a journey suspended in chromatic tones, filled with unfinished plots and stories still waiting to be told.*

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