23 Apr 2026 | ARRAIOLOS

The Itch You Can’t Scratch

Alexia Alexandropoulou

The Itch You Can't Scratch estende-se para além da materialidade dos têxteis, entrando no domínio da imagem em movimento, através de uma seleção de curtas-metragens que exploram as complexidades da presença, da ausência e da corporeidade. Cada filme questiona a forma como o corpo negocia o espaço, a memória e as forças invisíveis que moldam a nossa perceção de nós próprios e do outro. Através do movimento, de paisagens digitais e da abstração emocional, os filmes ressoam com os temas centrais da exposição — o desejo, a contenção e a negociação sensorial — ecoando a investigação de Pinelopi Triantafyllou sobre a espera, a ausência e a tensão entre presença e ausência.

O filme experimental de Petra Mrša desconstrói a experiência de um jogador de videojogos ao transportar paisagens digitais para o espaço físico. Desafia o espectador a refletir sobre a forma como os ambientes digitais se inscrevem no corpo, alterando as necessidades físicas e a perceção da alteridade. Combinando imagens geradas por computador com animação desenhada à mão, a obra desvenda a tensão entre a imersão e o distanciamento, entre o simulado e o real. Esta oscilação entre o virtual e o físico ecoa a exploração de Triantafyllou sobre a negociação do corpo em estados de suspensão.

The Nameless Dance, realizado por María Contreras, evoca uma coreografia da ausência. Um lamento coletivo por mulheres esquecidas desenrola-se através do movimento, dos têxteis e de corpos velados, onde o anonimato se torna simultaneamente apagamento e lugar de resistência. A fricção do tecido contra a pele, as identidades obscurecidas e os gestos sincronizados constroem uma inquietante meditação sobre a perda e a memória coletiva. De forma semelhante, a prática de Triantafyllou explora a espera como um estado incorporado, onde o atraso e a ausência se manifestam tanto como resistência quanto como protesto.

A curta-metragem de Noura A. Rahman volta-se para o interior, visualizando estados emocionais e psicológicos que permanecem, em grande medida, intangíveis. A ansiedade e a depressão ganham forma através de uma linguagem cinematográfica experimental, tornando visíveis os conflitos interiores da mente como algo simultaneamente visceral e distante. Esta obra aproxima-se do interesse de Triantafyllou pelas formas como o corpo interioriza forças invisíveis, moldando a nossa experiência do tempo, do controlo e da vulnerabilidade.

Em conjunto, estas obras articulam um mundo em que o toque não é apenas físico, mas também emocional, mediado e suspenso. Questionam aquilo que permanece quando o contacto é negado, quando os corpos são ocultados e quando a presença se dissolve na abstração — à semelhança dos atrasos coreografados e das interações adiadas que definem a prática de Triantafyllou.

The Itch You Can’t Scratch extends beyond the materiality of textiles into moving images, presenting a selection of short films that explore the complexities of presence, absence, and embodiment. Each film questions how the body negotiates space, memory, and the invisible forces that shape our perception of self and other. Through movement, digital landscapes, and emotional abstraction, the films resonate with the exhibition’s core themes of longing, constraint, and sensory negotiation, echoing Pinelopi Triantafyllou’s engagement with waiting, absence, and the tension between presence and absence.

Petra Mrša’s experimental film deconstructs the experience of a video game player by bringing digital landscapes into physical space. It challenges the viewer to consider how digital environments imprint themselves onto the body, altering physical needs and perceptions of otherness. Blending CGI and hand-drawn animation, the work unravels the tension between immersion and detachment, between the simulated and the real. This oscillation between virtual and physical echoes Triantafyllou’s exploration of bodily negotiation within suspended states.

The Nameless Dance, directed by María Contreras, evokes a choreography of absence. A collective lament for forgotten women unfolds through movement, textiles, and veiled bodies, where anonymity becomes both an erasure and a site of resistance. The friction of fabric against skin, the obscured identities, and the synchronized gestures construct a haunting meditation on loss and collective memory. In a similar vein, Triantafyllou’s practice delves into waiting as an embodied state, where delay and absence manifest as both endurance and protest.

Noura A. Rahman’s short film turns inward, visualizing emotional and psychological states that remain largely intangible. Anxiety and depression take form through experimental cinematic language, rendering the internal struggles of the mind as both visceral and distant. This work aligns with Triantafyllou’s interest in the ways the body internalizes invisible forces, shaping our experience of time, control, and vulnerability.

Together, they articulate a world in which touch is not merely physical but also emotional, mediated, and withheld. They question what lingers when contact is denied, when bodies are obscured, and when presence dissolves into abstraction—much like the choreographed delays and deferred interactions that define Triantafyllou’s practice.

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The Itch You Can't Scratch (Pinelopi Triantafyllou)